sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O pedinte

Três homens mais ou menos da mesma idade aparecem na frente da minha casa certo dia. Todos queriam a mesma coisa. Ajuda. Eu não sou de negar ajuda a essas pessoas, já que minha situação financeira não é muito ruim. No entanto, muitas vezes já me decepcionei com pessoas que se diziam esfomeadas e no entanto não aceitavam comida. Exigiam que eu lhes desse dinheiro.
O primeiro homem chegou me chamando de "bacana", ele disse que não comia a mais de três dias e tinha dois filhos em casa passando fome. Quando me aproximei mais dele, senti o forte cheiro de cachaça. É difícil acreditar que pessoas como ele vão usar algum tipo de dinheiro para comprar comida.
O segundo disse que estava passando fome e que aceitaria qualquer coisa para comer.
O terceiro chegou mais perto e disse:
- Eu não quero que me dê esmola senhor, eu vim até aqui para perguntar se o senhor tem algum tipo de serviço que eu possa fazer e assim o senhor poderá pagar pelo meu trabalho.
Eu fiquei impressionando com aquela aproximação.
Aparentemente, os três estavam saudáveis, tinham todos os seus membros, no entanto só um deles ofereceu seu trabalho em troca de algum dinheiro.

Eu não tinha como ajudar os três. Eu tenho um pequeno jardim, onde a grama precisava ser cortada. Eu achei que talvez, se um deles fizesse aquele trabalho eu pagaria muito bem.
Eu fiz minha proposta.
O primeiro virou as costas e foi embora praguejando.
O segundo coçou a cabeça e insitiu que só queria algum dinheiro para comprar comida. Eu  ofereci então um prato de comida e ele foi embora.
O terceiro humildemente disse:
- Eu nunca cortei grama na minha vida, mas se o senhor me mostrar como se faz. Eu farei com muito prazer.

Moral da história. Muitas pessoas preferem se humilhar ao pedir esmola, quando na verdade poderiam ganhar o pão de cada dia trabalhando. Fazendo alguma coisa que lhe garantisse o dia de amanhã.
Eu não gosto de ver ninguém sofrer, passar fome, eu ajudo sempre que posso, mas eu não tenho sangue de barata. Não consigo ficar calado quando eu tenho que cumprir horário todos os dias, enquanto muitos deles passam o dia todo na porta de um bar bebendo até cair.

Ser solidário sim, ser ingênuo não. Ajude, mas ajude aqueles que realmente necessitam.

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